Arma laranja em floresta verde: A guerra do Vietnã
Arma laranja em floresta verde: A guerra do Vietnã
A Guerra do Vietnã ficou conhecida como o mais sério processo de descolonização asiática. Quando foi declarada? Nunca! Contrariando a convenção de Genebra, tal guerra nunca foi formalizada. Nem os EUA declararam guerra ao Vietnã do norte, nem o contrário. O que houve foi uma “guerra por procuração”, até os EUA entrarem no conflito pessoalmente. Porém tal conflito nunca foi formalizado. Similar ao que ocorre hoje na Ucrânia.
A Guerra do Vietnã ficou famosa pelos testes de armas químicas e gases que os EUA usaram na Indochina. Armas como Napalm, que era uma espécie de “gasolina gelatinosa” que, ao contrário da gasolina comum, adere ao alvo e queima devagar. Estima-se que os EUA usaram cerca de 330.000 toneladas desse produto durante a Guerra do Vietnã. Principalmente em bombas incendiárias lançadas por aviões. Além desta, havia um famoso herbicida conhecido como agente laranja. Deste que tratarei neste texto.
O Herbicida
Só pra esclarecer um detalhe: O agente laranja era incolor. Tinha esse nome devido aos barris que eram armazenados, que possuíam uma tarja laranja de identificação. Havia outros, menos famosos, como os agentes azul, branco, rosa e roxo. Era um dos usos táticos dos “Herbicidas Arco-Íris”. Foi usado pelos militares dos EUA como parte de seu programa de guerra herbicida, Operação Ranch Hand. Ele desfolhava as árvores completamente, tornando as tropas vietcongs visíveis para os norte-americanos no Vietnã do Sul. Os vietcongs eram uma espécie de guerrilha comunista atuando no sul. E o agente laranja também fazia cortar os suprimentos das tropas vietcongs, já que exterminava as árvores, assim como frutos e quaisquer nutrientes delas. Era uma agressão ecológica sem precedentes, usada na guerra. Porém as consequências foram muito além disso.
O primeiro uso do agente laranja, de forma bélica, foi pela aviação britânica, em guerra na Malásia na metade do século XX, logo após o fim da segunda guerra.
Para fins de benefícios de compensação do Departamento de Assuntos de Veteranos dos EUA, presume-se que veteranos que serviram em qualquer lugar do Vietnã entre 9 de janeiro de 1962 e 7 de maio de 1975 foram expostos a herbicidas, conforme especificado na Lei do Agente Laranja de 1991. A lei exige que a Academia Nacional de Ciências realize uma revisão e avaliação compreensiva das evidências científicas, sobre os efeitos de saúde da exposição ao Agente Laranja. Muitos combatentes norte-americanos sofreram doenças como leucemias crônicas de leucócitos B, Doença de Hodgkin, Doença de Parkinson, Mieloma múltiplo e câncer de próstata, muitas vezes atribuídas à exposição ao agente laranja.
Em setembro de 2013, a emissora pública de rádio e televisão, British Broadcasting Corporation(BBC), transmitiu uma reportagem a respeito de crianças vietnamitas que ainda hoje, nascem com malformações congênitas devido à exposição ao “agente laranja”, um herbicida que durante a guerra do Vietnã (1965-1975) foi despejado neste país, em enorme quantidade, por forças militares dos Estados Unidos da América. Tal fato levou à elaboração deste boletim informativo sobre o “agente laranja” e seu contaminante, a dioxina.
O agente laranja é obtido a partir da mistura de dois herbicidas. O n-butil éster do ácido 2,4-Diclorofenoxiacético com o n-butil éster do ácido 2,4,5-Triclorofenoxiacético. O primeiro é um herbicida com baixa toxicidade, largamente utilizado na agricultura para o controle de ervas daninhas. Já o segundo tem sido retirado de circulação, devido à contaminações geradas por um produto de sua síntese, o 2,3,7,8-Tetraclorodibenzo-p-dioxina (TCDD), chamado simplesmente de Dioxina. Este é gerado a partir da síntese de duas moléculas de 2,4,5-Triclorofenoxiacético.
Cerca de 45 milhões de litros do agente laranja, contendo 150kg de dioxina, foram despejados no sul do Vietnã, com o objetivo de desfolhar a vegetação. A exposição tanto de militares, como da população vietnamita, ao agente laranja, tem causado não só toxicidade, mas carcinogenicidade, na população. Além de problemas na reprodução humana, causados pela dioxina.
As armas químicas na guerra e na História
Cada guerra traz à tona uma nova maneira de mutilar e matar soldados. A pólvora nos séculos XVI e XVII significava que – finalmente, infelizmente – era possível eliminar muitos inimigos com um único meio de ataque, uma bala de artilharia. Uma das marcas registradas da Primeira Guerra Mundial foi o uso em larga escala de armas químicas, comumente chamadas simplesmente de "gás". Embora a guerra química tenha causado menos de 1% do total de mortes nessa guerra, o fator "guerra psicológica", ou medo, foi formidável. Assim, a guerra química com gases foi posteriormente proibida de forma absoluta pelo Protocolo de Genebra de 1925. Ela tem sido usada ocasionalmente desde então, mas nunca em quantidades equivalentes às da Primeira Guerra Mundial.
A produção de alguns desses produtos químicos perigosos continua até hoje, pois eles têm usos pacíficos – por exemplo, o fosgênio(dicloreto de carbonila) é um reagente industrial, precursor de produtos farmacêuticos e outros compostos orgânicos importantes. Por fim, na Segunda Guerra Mundial, demonstrou-se que uma única arma atômica poderia matar mais de cem mil inimigos com o uso de uma única arma. Embora a eficiência de mutilar e matar tenha avançado constantemente do século XVII ao século XX, acelerou-se em uma ordem de magnitude na Primeira Guerra Mundial com o uso de gases venenosos inalados.
O precursor das chamadas armas químicas foi o químico alemão Fritz Haber(1868-1934). Na realidade, se fosse hoje seria polonês, tendo nascido na Breslávia, hoje na Polônia. Ele fez a descoberta sobre transformar o nitrogênio atmosférico para uso como adubo para vegetais, assim como para supervisionar a aplicação do gás cloro na primeira guerra mundial.
Enfim, a base das armas químicas nasceram no início do século XX. Mas seus efeitos se fazem sentir até hoje. Quanto ao Vietnã, houve o Tratado de Paris em 1973, que propunha a rendição do Vietnã do Norte. As tropas norte-americanas se retiraram. Mas, em 1975 as tropas do Vietnã do norte ocuparam o sul do Vietnã, unificando os dois países, aproveitando o vácuo deixado pelos americanos. O asiático venceu o gigante americano pelo cansaço. Porém os efeitos ecológicos, e na saúde de várias pessoas, seriam sentidos por longos anos.
Referências Bibliográficas:
1. Coleção GRANDES GUERRAS. Volume II. Guerra do Vietnã(1965-1975). Revista Aventuras na História. Editora Abril. 2ª Edição. São Paulo. Outubro, 2004.
2. PANIKKAR, Kavalam M. A Dominação Ocidental na Ásia. 3ª Edição. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1977.



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