Morte branca em água azul

Morte branca em água azul 





Temido como poucos animais do mundo, o tubarão branco(Carcharodon carcharias) vive mais de fama, do que de realidade. Quantos não lembram do filme Tubarão, de Steven Spielberg, de 1975? Sua imagem sanguinária, com dentes pontudos e bocarra imensa, ganhou o mundo naquela época. Mas será que essa fama surgiu ali? Não. Um evento real, da 2ª guerra mundial, foi a primeira história de terror do mar que se registrou sobre isso. No dia 30 de julho de 1945, um cruzador pesado norte-americano denominado USS Indianapolis, a última embarcação da classe portland, foi torpedeado por um submarino japonês, vindo a afundar em 12 minutos. Foram 900 tripulantes à deriva no mar, dos quais apenas 317 sobreviveram. Essa história verídica seria contada no filme Tubarão, por um dos personagens do filme. O motivo é que os 317 sobreviventes contaram muitas histórias mundo afora sobre o ocorrido. 


Para tirar a limpo o que seria essa fera do mar, foi escrito um livro, The Natural History of Sharks, em 1969, ao mesmo tempo que foi feito um documentário, em 1971, intitulado Morte Branca em Água Azul. Este documentário seria a inspiração para a maioria dos filmes de tubarão vistos até hoje, embora muitos não saibam. Ali nasceu o terror que a humanidade teria desse condricte dos mares. Foi um documentário americano de 1971, sobre tubarões, dirigido por Peter Gimbel e James Lipscomb. Recebeu críticas favoráveis ​​e foi descrito como uma "odisseia bem produzida" e "emocionante e muitas vezes bela". Foi exibido nos cinemas e transmitido na televisão em vários momentos durante as décadas de 1970 e 1980. O documentário foi relançado em DVD em 2009. Muitos aqui no Brasil não sabem, mas foi neste documentário que se registrou o primeiro ataque de um tubarão a uma gaiola a prova de tubarões. Daí veio outra inspiração para as cenas do filme que viria a seguir. E não serviu de inspiração só para os filmes. Serviu de inspiração para o Best Seller muito conhecido no mundo, chamado Tubarão em 1974, escrito por Peter Benchley, que Steven Spielberg faria o filme no ano seguinte. E mais. O mesmo Peter também escreveu a matéria para a primeira revista National Geographic Brasil em português, de maio do ano 2000, do qual retiro parte da informação para produzir este texto. Ele escreve sobre os tubarões brancos na África do Sul e no Pacífico. Vale a pena ler. 


O documentário Morte Branca em Água Azul começa com uma introdução concisa ao grande tubarão branco, fornecendo detalhes sobre incidentes significativos envolvendo essas criaturas formidáveis. Inspirado por essa representação, Peter Gimbel resolve capturar o grande peixe em cenas de filmagem. Ele embarca em uma jornada para Durban, África do Sul, acompanhado por uma equipe de filmagem e mergulho especialmente montada, já que esta região é conhecida por avistamentos regulares de grande tubarão branco. Hoje, o trecho do local das filmagens que mais se destaca é onde tem tubarões galha branca oceânicos(Carcharhinus longimanus) destroçando carcaças de baleias na África do Sul. Tubarões colecionaram muitas lendas. É um predador perigoso, mas muitas histórias são exageradas. O documentário abrange a indústria baleeira do país, e eles rastreiam o antigo navio baleeiro, Terrier VIII, que arpoa cachalotes, atraindo tubarões inadvertidamente. 


A equipe opta por mergulhos noturnos com luzes subaquáticas, aumentando significativamente as imagens dos tubarões até que as luzes se apaguem. Apesar desses ricos encontros marinhos, os grandes tubarões brancos permanecem elusivos. Seguindo o conselho de moradores franceses locais, a equipe parte para Vailheu Shoal, um ponto de avistamento de grandes tubarões-brancos. Infelizmente, a expedição se mostra infrutífera, levando a equipe a seguir para Batticaloa, na costa leste do Sri Lanka. Munidos de novas dicas sobre como localizar grandes tubarões, eles se aventuram nas áreas especificadas, optando por abrir mão das gaiolas de mergulho devido às condições locais. Essa decisão desperta dúvidas na equipe sobre a viabilidade do mergulho sem gaiolas. Em Dangerous Reef, a equipe finalmente obtém sucesso, atraindo três tubarões brancos com iscas e capturando imagens cativantes das gaiolas de mergulho. As gaiolas são atacadas repetidamente, culminando em uma sequência dramática em que a gaiola de Peter Gimbel é atacada e puxada para longe dos barcos por um dos tubarões. Milagrosamente, a equipe consegue recuperar a gaiola, sem ferimentos.


Muitas coisas têm se acreditado sobre os tubarões, que não são verdade. Uma dessas coisas é que eles precisam se movimentar continuamente para respirar. Antigamente, acreditava-se que isso fosse verdade, mas não é. A maioria dos tubarões consegue pousar no fundo e bombear água pelas guelras. O adorável e ameaçado tubarão-lixa-cinzento-australiano consegue ficar quase parado na água. Eles são frequentemente vistos descansando em grupos, esperando para sair e forragear sob o manto da escuridão.




Referências Bibliográficas


1 . BENCHLEY, Peter. Tubarões Brancos: Perigo no mar. Revista National Geographic Brasil. São Paulo, vol 1 nº 1, Pgs 48-78. Maio 2000. Editora Abril


2 . HODGES, Glenn. O tubarão dos tormentos. Revista National Geographic Brasil. São Paulo, Ano 17, nº 197, Pgs 90-103. Agosto 2016. Editora Abril


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